Showing posts with label Relações. Show all posts
Showing posts with label Relações. Show all posts

Thursday, October 06, 2016

Proximidade

Eu sei que tu não me queres perto. Que achas que não sou a mulher para ti. Disseste-me isso desde o início e eu aceitei as regras. Seríamos só amigos coloridos. Tudo bem. Tinhas razão também quando disseste que eu sou uma mulher que quando gosta, gosta a 100% e que procuro uma relação estável. Nunca o escondi. Mas justamente por ser assim, uma relação colorida não era uma coisa fácil para mim, mas eu aceitei entrar nela e desde o princípio que fiz todos os esforços para cumprir as regras e não criar uma ligação que tu não querias. Dei-te todo o espaço do mundo, nunca perguntei com quem estavas ou onde ias ou o que fazias. Mas conversávamos como amigos, eu contava-te coisas minhas e tu contavas-me coisas tuas. E nunca nem tu nem eu nos sentimos desconfortáveis achando que o outro estava a procurar saber demais ou querer demais.
Lembro-me que da primeira vez em que quiseste acabar estiveste em minha casa e estivemos a ver o itinerário das tuas próximas férias. Nessa altura não tinhas qualquer problema em me dizer onde ias e o que ias fazer e eu nunca procurei espiolhar mais do que o que me dizias. E quando voltaste das férias quiseste vir mostrar-me as fotos e os vídeos da viagem. Estiveste aqui em casa a mostrar-me tudo. Sentias ainda proximidade na altura, presumo.
Depois encontraste aquela rapariga e estiveste com ela. Nunca te perguntei quem ela era, nem sequer o nome sei, nem o que fazia nem nada. O que sei dela é apenas o que me quiseste contar, voluntariamente. Depois estivemos ambos no Tinder. Falei-te do rapaz que conheci e tu contaste-me os encontros ou conversas que quiseste contar. Nunca te perguntei mais do que o que me disseste. Aliás, eu até costumava achar que eras bastante franco porque muitas vezes contavas mais do que aquilo que eu perguntava.
Houve até um momento em que não tiveste problemas em apresentar-me duas amigas tuas. Eu sei que não gostas de misturar os amigos e apesar de saberes que eu queria conhecer gente nunca me apresentaste os teus. Talvez fosse para não criarmos mais ligações, suponho. Eu também não te apresentei os meus porque não quis que pesasses que estava a forçar alguma coisa (mais uma vez, respeito pelas regras).
Depois, deixaste de ter "vontade". Mas mesmo assim, ainda nessa altura falámos muitas vezes e contámos coisas um ao outro e isso não te parecia incomodar. Mandaste-me links para cãezinhos porque sabias que eu procurava um. Ainda sentias proximidade, talvez.
Falámos de férias mais do que uma vez, foste tu até que tiveste a ideia da Austrália. Viste um comentário meu com a minha amiga no FB e mandaste-me logo uma msg a perguntar se eu estava a pensar ir. E já tinhas decidido que seria em 2017 e que mesmo que fosses numa road trip aos países Bálticos com o teu amigo no verão isso não interferia com a nossa viagem. Desculpa se acreditei que falavas a sério e se comecei a sonhar que ia finalmente conhecer um país novo.
Depois as tuas circunstâncias mudaram e decidiste n ir. Tudo bem. Acontece e estás no teu direito.
Mas as coisas entre nós só mudaram depois daquela discussão em Maio. Tu não me querias mais, mas demoraste muitos meses para mo dizer, o que é estranho porque no verão antes não tiveste qqr problema em acabar e já sabias que eu não reagia mal.
E quando fui eu que te disse que tal como as coisas estavam, comigo pendurada à espera, é que não podia continuar, que era melhor acabar, é que as coisas mudaram. Pensavas que eu estava apaixonada por ti (acho que sempre pensaste isso, com receio) e surpreendeu-te quando eu disse que não. Não sei se estive apaixonada, esforcei-me tanto para não estar, bloqueei-me tanto para não me deixar sentir, que nem sei o que sentia. Acho que não estava, mas gostava de ti, gostava imenso da tua companhia e sinto saudades das nossas conversas. E dói-me imenso ter perdido um amigo. Dói mais porque foste o primeiro com quem estive, conhecias as minhas fragilidades e segredos e foste bom comigo. E é por isso que doeu imenso quando me disseste que já não temos tanta proximidade.
Terias dito o mesmo a alguém com quem não tivesses ido para a cama? Se um gajo te tivesse perguntado: «Então pá? Estás nos EUA? Mas há 3 dias quando falámos de irmos fazer umas férias não disseste nada?»
Provavelmente não lhe terias dito que não tens de lhe contar tudo, que ele não precisa de saber tudo da tua vida. Nem sequer terias ligado ao comentário. Perguntamos tantas vezes a amigos: "Então pá, foste fazer x? Não sabia!" sem nenhuma intenção de espiolhar, só por curiosidade.
Se me tivesses dito onde ias, eu ter-te-ia dado dicas de sítios p veres em N.Y. Só isso.
Quando um homem dorme com uma mulher, há uma ligação que se cria, pelo menos para ela. A não ser que seja uma puta que faz disso a vida ou uma gaja que engata estranhos à noite, para uma mulher fica sempre algo. E se é com um amigo, a amizade ganha mais peso. Não quer dizer que tenham casar ou que a relação tenha sequer de continuar, mas dizer-lhe que já não são próximos depois de dormirem juntos é como se lhe dissesses que a usaste. E eu senti-me descartável, usada e dói ainda mais porque nunca me tinhas tratado assim antes. Sempre tinhas tido cuidado e preocupação comigo. É por isso que eu digo que algo mudou naquela discussão. Algo que te fez querer por-me de parte e ferir-me com aquele comentário.

P.S. Já passaram várias semanas e continua a doer. Eras uma pessoa importante para mim, um amigo que me ajudou, q me deu carinho qd eu estava em baixo e de quem eu gostava bastante. E sinto muito a tua falta,..


Saturday, May 28, 2016

Bitch!

I don't know why I make such an effort to be nice and a good person and accomodate other people's needs. If I only get blamed and criticised for not bending myself more then I might as well be a selfish bitch. 
If I was demanding and selfcentered and a spoiled brat, then I might sometimes get what I need and deserve, and at least when I was blamed and criticised people would have a reason for it.

Friday, January 30, 2015

Sinergias

Stanislas Wawrinka é um jogador de ténis que até há algum tempo atrás era um jogador de bom nível, mas nada de especial. Aparte da sua fantástica esquerda a uma mão, o facto pelo qual ele era mais conhecido era por ter deixado a mulher e a sua filha bebé porque «se queria concentrar na sua carreira». Não terá sido o primeiro a afastar-se da família, amigos e das relações humanas em geral para procurar atingir o sucesso, nem será o último com certeza.
Ora, acontece que o Stan (como é conhecido) chegou à conclusão que tinha cometido um erro, caiu em si e, melhor ainda, teve a coragem de o procurar resolver e voltou para a mulher e para a filha.
Será que a carreira ficou para trás? Nada disso. O sucesso que Stan tanto procurara e pelo qual estava até disposto a sacrificar a família, chegou finalmente, mas só depois de se ter reconciliado com ela. Em 2014 foi o vencedor do Open da Austrália, alcançou a sua melhor classificação de sempre no ranking e venceu a Taça Davis para a Suiça.
Parece comprovar aquela que sempre foi a minha teoria: somos seres complexos, multidimensionais, nos quais todas as partes contribuem para um todo, mesmo aquelas que parecem não ter nada a ver. Há sinergias que não são visíveis, mas que estão lá e negá-las é limitarmo-nos a nós mesmos.
Por isso, Go Stan!



Thursday, December 04, 2014

Independence

Uma amiga disse-me outro dia, em conversa, que tinha a certeza de que quando eu arranjasse namorado nunca mais me via. A minha reacção instintiva foi de surpresa. «Estás parva?» pensei. «Porquê?» Ela achava que eu sou do tipo que quando tem alguém vive exclusivamente em função dessa pessoa, esquecendo tudo o resto. Mas essa ideia é-me extremamente repelente. Andar sempre colada a outra pessoa, sem dar um passo que não seja com ele, absorver os gostos dele, os seus interesses e esquecer os meus... são tudo ideias que me deixam arrepiada e desconfortável.
Não é coisa que se note muito, mas sou bastante mais independente do que pareço. Isso aparece até no meu relatório psicológico, se bem que, como independência sempre foi coisa que tive, não era algo em que pensasse muito. Mas, de repente, percebi que a minha dificuldade em encontrar alguém com quem construir uma relação pode ter algo a ver com isso.
Será que é isso que me sabota? Sempre me senti atraída por homens independentes, com sonhos, aspirações e interesses próprios. Homens auto-suficientes. Só esses não são normalmente o tipo que precisa de namorada. Os 'casadoiros' tendem mais o tipo 'macho controlador' ou o 'romântico clingy', ambos géneros que me repelem.
Detesto sentir-me controlada e manobrada. Aqueles que me dão espaço, que respeitam as minhas opiniões, as minhas decisões e as minhas 'quirkinesses' têm tudo de mim. Claro que podem e devem discordar, ter opiniões e pontos de vista diferentes e eu adoro conhecer outras perspectivas e trocar ideias. Mas se começam numa de dar bitaites e criticar só porque sim ou a mandar indirectas passivo-agressivas a coisa não funciona. Coisas como "Gostas deste bar? Que coisa tão pirosa. O XYZ é muito melhor, quando te levar lá é que vais perceber o que é bom" ou "Ah, foste ao cinema... eu também queria ver esse filme, podias-me ter dito..." dão-me logo brotoeja.
Mesmo nos amigos/as, é assim. Tenho amigas que precisam de companhia para tudo, até para irem às compras ao supermercado, coisa que me faz bastante confusão. Preciso de tempo e espaço para mim, silêncio para pensar, reflectir, sonhar. Detesto andar sempre atrelada a alguém. Conheço mulheres que não gostam de guiar e que fazem os namorados/maridos servirem de motoristas para todo o lado. Isso arrepia-me. Eu gosto de andar sozinha tanto quanto gosto de companhia; gosto da sensação de pegar no carro e decidir quando e onde sem precisar de ninguém. Conheço pessoas que vão todos os fins-de-semana ao mesmo sítio, têm um programa fixo, sempre com os mesmos amigos. Eu gosto de ir a sítios diferentes, com pessoas diferentes. Não faço amigos com rapidez e sou extremamente leal aos que tenho. Não é uma questão de estar sempre à procura de novidade, é sim uma questão de desfrutar das várias nuances de um todo sem cair na rotina.
Será que é por isso que não tenho sorte no amor? Será que a minha necessidade de independência me faz sentir atraída pelos não disponíveis? Me faz sabotar as situações de alguma forma, avaliando mal os homens. É algo que preciso de descobrir e perceber como integrar. Porque independência não é incompatível com um relacionamento, com intimidade e entrega. Independência pode dar mais cor e profundidade ao amor. Mas só se for honestamente assumida.

Saturday, September 13, 2014

Um dia...

Ontem, caiu uma pestana à minha sobrinha. Na brincadeira fizemos o jogo de segurar ambas na pestana e pedir um desejo. Aquela que ficasse com a pestana colada ao dedo via o seu desejo realizado. E eu desejei que tu e eu pudéssemos estar juntos.
Nem pensei, passou-me como um raio pela cabeça.
Como é possível ao fim de todo este tempo ainda te desejar. Eu bem te tento esquecer, mas obviamente até nisso sou um falhanço. Já não basta não saber seduzir, cativar - sei lá - criar laços com um homem; também não te consigo esquecer...
Acho que nunca fiz mal a ninguém, toda a vida o meu maior sonho era encontrar um companheiro de vida: amigo e amante. Mas falhei. Teria sido mais fácil ter como sonho querer ser rica ou bem sucedida profissionalmente, mas não sou talhada assim, dinheiro e status não me motivam, afecto sim. Preciso de laços humanos, de amor. Não sei o que é ser amada por um homem, alguém para quem somos importantes, que nos quer ao seu lado porque sem nós a vida é mais triste. Que nos ama só porque sim. E custa cada vez mais ver os anos a passar e a esperança de isso alguma vez acontecer diminuir; afinal, nós mulheres temos o tempo contra.
Já me passou pela cabeça a ideia louca de ter um filho, uma produção independente, alguém para amar e que me amasse, mas uma criança não deve nascer para ser a cura dos falhanços dos pais. É um fardo pesado demais para carregar: colmatar aquilo que o pai ou a mãe não conseguiram alcançar por si. Não posso fazer isso, não seria correto. Tenho de continuar a seguir em frente, um dia de cada vez, rezando para que exista alguém por aí no mundo que ache que eu valho a pena, que me deseje, que me acarinhe que me ame. Um dia, a sorte também há-de sorrir para mim.

Tuesday, July 15, 2014

Twisted priorities

Vi que tens um novo projeto profissional. Estás a alcançar o que querias. Em outras circunstâncias ficaria feliz por ti. Afinal, eu sempre te quis apoiar, vibrar com os teus sucessos, orgulhar-me de ti. Queria incentivar-te, aplaudir-te, motivar-te, ajudar-te... E poderia continuar a desejar-te o melhor, ainda hoje, à distância, se tivesses sido frontal comigo. Se tivesses terminado tudo olhos nos olhos. Mas a maneira como o fizeste, fugindo e agindo como se eu fosse algo de descartável que se pode simplesmente pôr de lado, magoou-me demais. Teria de ter muita falta de amor próprio para ficar feliz por ti quando não respeitaste o que eu sentia por ti. Nem sequer uma explicação ou um pedido de desculpas depois.
Buda diz que uma vela não se apaga por partilhar a sua luz. Todos nós podíamos ser velas acesas, bastava termos simplesmente um bocadinho de empatia e atenção pelos que estão do nosso lado.
É triste, quando temos como prioridade da vida ter mais cuidado com o modo como tratamos um cliente do que um amigo.


Monday, June 30, 2014

Banda sonora

Hoje ouvi estas duas canções. Passaram no rádio uma a seguir à outra. Curiosamente, eram canções que me faziam ter esperança há um ou dois anos atrás.

I've loved you for a 1000 years, I'll love for a 1000 more...


e

We're not broken just bent and we can learn to love again...


O meu horóscopo para estes dias dizia para eu prestar atenção às coincidências, que estes eram dias de renascimento, de surpresas inesperadas, de regeneração. Mas o meu horóscopo dos últimos 4 meses também dizia que esta era uma altura em que a probabilidade de me apaixonar e iniciar um relacionamento 'joyful' era elevada. Pois! Didn't happen!

Friday, October 18, 2013

Eu consigo!

Durante muito tempo andei aqui a escrever o que gostaria que tivesses feito, a tentar adivinhar as tuas razões, os teus motivos, a tentar encontrar explicações... Enfim, tentava encontrar um fio nesta meada, algo a que me pudesse agarrar e um fio que me ajudasse a continuar. Não faço ideia se alguma vez o encontrei, mas não é disso que vou falar hoje.
Nos últimos dias, parece que estou a descobrir algo por entre as nuvens. Pode ser mais uma miragem, mas se me ajudar a encontrar o sol, pois, irei segui-la, por enquanto.
Apercebi-me de repente que, apesar da mágoa e da perda, que senti e ainda sinto, houve uma evolução em mim que pode ser positiva nisto tudo.
Um vez, numa das nossas conversas, disseste que eu era 'mais reservada'. Eu sempre me achei tímida, retraída, com medo de arriscar e essa foi talvez uma das razões porque cheguei sozinha a esta fase da vida. Porque sempre tive medo de me entregar. Esperava uma solução mágica, que alguém me descobrisse sem eu ter de me expor, mas isso nunca aconteceu.
E, de repente, contigo, eu expus-me. E não foi difícil, aconteceu! Consegui, fui capaz de me abrir e de arriscar.
Porque aconteceu contigo e não com outros, tem talvez a ver com a pessoa que tu és, com esse algo em ti que me fez confiar, que me fez sentir essa ligação tão forte. Mas, seja como for, independentemente de ti e de tudo o que aconteceu e não aconteceu entre nós, o ponto importante a reter aqui é esta descoberta:
Eu consigo! Eu sou capaz de me entregar!


Thursday, October 10, 2013

O amor é

Para mim, esta é a frase que define tudo o que sinto:
«O amor é o encontro de duas feridas... O amor verdadeiro é: eu amo a forma como te tentas curar, eu gosto da tua cicatriz».

E amar é ter medo de perder. Implica correr riscos. E o medo pode levar-nos a fazer coisas estranhas:
«tornamo-nos dependentes porque precisamos que o outro nos devolva, diariamente, a existência»

Ou

«podemos deixar de amar porque temos medo, sabotar tudo em vez de nos entregarmos e confiar totalmente, reduzir a importância desse amor, ligando-nos a uma actividade onde tudo depende de nós»

http://idademaior.sapo.pt/familia/lacos-familia/amor-verdadeiro-5-sinais-que-nao-enganam/


Mas o amor também pode ser: «aceitar irem juntos até ao desconhecido; viver a experiência do desejo; sentir-se vivo».

Mas esta parte fica para o próximo artigo...

Wednesday, July 24, 2013

Para memória futura

Nos últimos tempos tenho vindo a fazer bastante ‘soul searching’, analisando e tentando perceber os padrões que têm gerido a minha vida. Aqui, há uns posts atrás, chegava à conclusão que colocava os outros demasiado no centro da minha vida, o que até é verdade, mas há mais coisas além disso. Durante bastantes anos deixei que a timidez e o medo me dominassem, fazendo com que me retraísse e não demonstrasse facilmente os meus sentimentos, nem me deixasse levar facilmente no campo das emoções. Parece contradição, mas não é. Por as relações serem tão importantes para mim o medo de falhar nelas era terrível, o que me levava a retrair bastante. Durante anos essa foi, provavelmente, a explicação para que eu continuasse só. Aqueles de quem gostava nem sequer me viam porque eu não me mostrava e, paradoxalmente, os que me achavam piada surgiam sempre do grupo dos que eu via apenas como amigos; aqueles junto de quem era eu mesma, justamente porque não lhes procurava agradar.
Trabalhei para perder o medo e aprender a soltar-me mais, a demonstrar o que sinto. Mas acho que exagerei. Contigo, acho que acabei por cair no outro extremo. Talvez por te conhecer de antes e confiar em ti, demonstrei cedo demais e explicitamente demais que eras importante para mim, que gostava de ti, e, se calhar, assustei-te.
Um amigo meu diz que os homens são muito simples: quando gostam correm atrás. Acho que um corolário disso é que os homens gostam de ser eles a conquistar e não que corram atrás deles e, se calhar, foi isso o que eu fiz. Lição a reter: tenho de aprender a arte do equilíbrio.



Wednesday, July 17, 2013

Should have...

O meu horóscopo pessoal diz que eu tenho tendência a abdicar demasiado de mim, daquilo que quero e desejo em prol daqueles que amo e, consequentemente, muitas vezes acabo por ser dominada e rejeitada por eles. Isto acontece por duas razões: para mim as relações e a cooperação têm uma importância primordial - é através delas que me defino; e tenho o mau hábito de achar que amar é sacrifício. Tudo isto é inconsciente, claro. Só que ultimamente está a começar a ficar menos inconsciente. Começo a perceber uma grande verdade aqui. É verdade que as relações, os amigos, o amor e a família são o centro do meu mundo e é verdade que muitas vezes calo-me e anulo-me para manter a paz, para não confrontar, para agradar e para não alienar ninguém. Mas, se calhar, começo agora a pensar que tenho de aprender a dizer não mais vezes, a lutar pelo que quero (mesmo que isso pareça egoísmo) e a não ceder tanto. Acho que tenho feito isso a minha vida inteira e fi-lo também contigo. Dei-te todo o espaço e tempo que precisaste, quando tudo o que eu queria estar contigo. É verdade que me afastei algumas vezes, mas fui eu que voltei sempre, não foste tu que me perseguiste. Isso deveria ter sido um sinal para mim. Devia ter-te confrontado e exigido uma definição. Não o fiz porque não te queria perder e, afinal, perdi-te na mesma…
Nada disto apaga a tua atitude. Essa é da tua inteira responsabilidade. Mas se sofro ainda agora, parte desse sofrimento tem a ver comigo; com o facto de te ter colocado tão depressa num lugar tão central na minha vida; e por ter cedido demais, esperando e compreendendo. Tem sido assim a minha vida: sempre à espera, sempre apoiando e sendo compreensiva, quando muitas vezes devia ter dado um murro na mesa e exigido que as minhas necessidades também fossem satisfeitas.
Esta é a lição que estou a aprender agora. Para teu bem, espero que também tu tenhas aprendido algo com o que se passou entre nós, porque se é assim que ages para com aquelas por quem dizes sentir carinho, não admira que estivesses sozinho quando te reencontrei. Também tu sabotas as relações e te devotas ao falhanço.

Somos mais parecidos do que julgas… sempre to disse.


Monday, July 15, 2013

Preciso de um raio de esperança...

Alguém escreveu isto na sua actualização de estado:


«Eu não tenho medo do amor.

Eu tenho medo de amar quem tem medo dele.
Amar quem teme o amor é como se apaixonar por uma sucessão de desistências.»


Acho que é isso... devo ter uma espécie de bússola para os 'indisponíveis'. Se calhar, isto é, em si mesmo, um tipo de medo meu. Corro atrás do que vai falhar porque se calhar, bem no fundo, não acredito que mereço viver uma história de amor... 

Eu queria esquecer-te. Queria ultrapassar isto, mas há dias em que já nem consigo ter fé de que alguma vez o vá conseguir. Estou ferida demais, não sei se depois de ti consigo suportar mais uma desilusão...


Thursday, July 04, 2013

Oportunidades

Continuo a colocar fotos. Acho que, bem no fundo, resta-me ainda um vislumbre de esperança de que nenhuma das tuas palavras fosse mentira, que sentisses mesmo carinho por mim e que, talvez, um dia, algo se agite dentro de ti e percebas que precisas de me mim e que tens de fazer alguma coisa por isso.
Ainda espero que isso aconteça e que ainda venhas a tempo, porque as fotografias também servem outro objectivo: se é verdade que não te importas, pode ser que alguém as veja e queira aproveitar a oportunidade.

Aquela que eu te ofereci e que tu rejeitaste… 


Monday, July 01, 2013

Porquê agora?

Depois de meses sem escrever nada aqui, pensei que estava a conseguir ultrapassar tudo isto. Mas do nada, surgiu um relâmpago. Um dia acordei e a falta de ti foi tão grande como antes. E então senti raiva. Raiva por nunca me teres dado nenhum sinal de que importas. Eu sempre compreendi as tuas restrições, a dificuldade desta fase na tua vida e estava disposta a esperar e a dar-te o espaço e o tempo para poderes desbravar esse caminho. Mas precisava de algo em troca. Tinha pelo menos de te ver, de te tocar, de estar contigo de vez em quando. Era só isso. Simplesmente.

Thursday, April 04, 2013

Bad girls

Ontem, ao telefone com uma amiga ela comentou que se calhar tinha tomado algumas decisões erradas na vida, mas que agora já não podia voltar atrás. Pus-me a pensar e acho que a grande decisão errada na vida que tomei foi tentar fazer tudo certinho. Custa dizer, mas bem no fundo acho sou um pouco ingénua e moralista. Achava que para ter um companheiro tinha de estar apaixonada e não compreendia como outras pessoas se casavam/juntavam whatever por razões tão fúteis como: «ele é giro»; ou materialistas como: «ele tem um bom emprego/status» ou até por razões pessoais práticas: «quero ser mãe e ele dava um bom pai para os meus filhos». Eu achava, romântica e moralisticamente, que isso era ser desonesta para com o meu companheiro. Afinal, ele merecia que eu o amasse e respeitasse, que o desejasse e que o visse como uma pessoa ao lado de quem eu queria estar pela pessoa inteira que ele era e não apenas pelo que ele me poderia 'dar'/'proporcionar'. 
Que estúpida fui. Devia ter sido menos certinha e mais prática. Porque as certinhas acabam sozinhas enquanto as práticas é que conseguem o que querem (ou, pelo menos, divertem-se!)


Monday, April 01, 2013

O que eu quero

Escrevi isto outro dia. É apenas uma ideia genérica.

O que procuro num homem: Procuro um companheiro/amigo/amante para relação de longo prazo, exclusiva, para constituir família. Quero um homem honesto, simpático inteligente e que goste de mim. Que tenha as suas ideias e opiniões próprias, mas que os seus valores e objectivos de vida sejam semelhantes aos meus. Que tenha os seus projectos e interesses, assim como eu também tenho os meus. Será excelente se forem coisas que podemos partilhar os dois, mas também não me importo se tivermos hobbies e gostos diferentes. Não quero uma cópia de mim, que tenha de andar sempre colado a mim e, por isso, não me faz qualquer diferença que possa ter actividades que goste de fazer sem mim, assim como eu também tenho as minhas. Quero alguém que procure uma companheira de vida, que tenha curiosidade e interesse por mim, que respeite o que eu penso, mesmo quando não concorda e que me valorize enquanto pessoa. Do mesmo modo, quero alguém que eu possa admirar, respeitar e aprender com. Não me interessa a sua profissão, não me interessa quanto dinheiro ganha, que cargo tem ou quantos gadgets pode comprar, desde que em conjunto possamos ter uma vida confortável. Mas gostava que fosse alguém feliz com o que faz e que se orgulhasse do seu trabalho. Por ele, não por mim. Gostava que fosse uma pessoa de mente aberta e espírito humanista, que luta por ultrapassar os obstáculos que se possam aparecem à frente. Alguém simpático para com as pessoas em geral, boa onda, curioso e interessado pela vida. 
Admito que tenho defeitos: sou um pouco reservada e não me entrego facilmente, mas quando o faço sou extremamente leal. Sou um pouco teimosa e susceptível e não reajo bem a manipulações ou críticas, mas tenho um espírito de colaboração muito forte e procuro sempre situações de compromisso, win-win. Não sou uma pessoa muito doméstica, por isso não dou para mãe de ninguém, mas por outro lado também não sou daquelas chatas capazes de massacrar um homem por horas porque deixou as meias fora de sítio. Acharei que tanto eu como o meu companheiro temos sempre prioridade sobre as lides domésticas.

Pode ser sumarizado assim:
O que procuro num companheiro: amor, paixão, amizade, afinidade de valores, fidelidade, companheirismo, confiança, generosidade, lealdade, perspectivas de vida semelhantes, respeito, tolerância. 

E num relacionamento: estabilidade, colo, um lar, uma parceria, espírito de equipa, cumplicidade, liberdade para sermos nós mesmos, apoio. 

O que eu procuro é também o que eu ofereço, o que eu quero dar ao meu amor. É um caminho com dois sentidos.
...Um caminho que queria percorrer contigo, porque sinto que és tudo isto... e muito mais!



Tuesday, March 26, 2013

O problema da sedução

Mandaram-me este texto hoje, uma newsletter de um site que subscrevo. E fez-me doer... porque eu há muito que pressinto tudo isto, há muito que quero mais, que procuro uma relação completa. E nunca a tive... Se calhar, devia ser assim, superficial, jogar o jogo da sedução. O problema é que não o sei jogar: por um lado falta de auto-estima, acho logo que não tenho esse tipo de armas (era por isso que detesto a área comercial, por achar que não iria conseguir seduzir o cliente, que ele ia notar perfeitamente a minha falta de honestidade - para mim iludir é enganar); e por outro um desprezo profundo por estes jogos de enganos, egoístas, que brincam a seu bel-prazer com os sentimentos dos outros, como num jogo de espelhos, sem se importarem com a dor que podem causar.

«Quem só gosta de seduzir nunca experimentará uma relação plena…

No mundo corrido em que vivemos, as relações presenciais vão sendo substituídas pelos namoros virtuais e o toque físico pela webcam. A regra geral é seduzir, mas não se envolver. É como se não tivéssemos mais tempo para “aprofundar a relação”. Ao sexo – e ao amor – bastam os mistérios da atracção e o desejo dos olhares. Não há lugar para o afecto mais profundo.

Quem aceita viver assim alimenta-se apenas da fantasia e deixa de construir um relacionamento completo, pois sobre pilares tão frágeis nada pode se sustentar. Não é que no jogo da sedução não haja promessas de afecto. Elas existem, mas são difíceis de serem cumpridas, o que acabaria com o próprio mecanismo de sedução. Ninguém se entrega.

A fantasia é fundamentada, mas fica sem sentido se ambos não passam dessa etapa do relacionamento. Uma relação que se fixa na superficialidade do amor, sem o conhecimento mais inteiro do outro, logo acaba. O não envolvimento impossibilita o crescimento da relação, fazendo com que cada parceiro desenvolva um medo enorme de descobrir o que se passa na cabeça do outro. Ao “desvendar” os mistérios da outra pessoa, nós “descortinamos” a sua imagem real, que pode ser diferente da fantasia que criamos. Esse processo parece perigoso – e de facto é, se considerarmos o envolvimento um perigo –, porque pode mobilizar emoções que vão além do “jogo de cena”.

Quem gosta de seduzir nunca chega a essa etapa do desenvolvimento da relação, mas quem a esta altura já percebeu que ama vai em frente, quer mais. Quem descobrir a cada dia a história e os caminhos do outro, num processo que não cansa, não satura. É essa busca que alimenta a relação, é essa (re)descoberta a cada dia que fortalece o laço de união.

Se a relação fica “fechada” na sedução ou se um julga já ter descoberto todos os mistérios do outro, isso torna-se impossível. E a felicidade a dois, também!»