Ontem, caiu uma pestana à minha sobrinha. Na brincadeira fizemos o jogo de segurar ambas na pestana e pedir um desejo. Aquela que ficasse com a pestana colada ao dedo via o seu desejo realizado. E eu desejei que tu e eu pudéssemos estar juntos.
Nem pensei, passou-me como um raio pela cabeça.
Como é possível ao fim de todo este tempo ainda te desejar. Eu bem te tento esquecer, mas obviamente até nisso sou um falhanço. Já não basta não saber seduzir, cativar - sei lá - criar laços com um homem; também não te consigo esquecer...
Acho que nunca fiz mal a ninguém, toda a vida o meu maior sonho era encontrar um companheiro de vida: amigo e amante. Mas falhei. Teria sido mais fácil ter como sonho querer ser rica ou bem sucedida profissionalmente, mas não sou talhada assim, dinheiro e status não me motivam, afecto sim. Preciso de laços humanos, de amor. Não sei o que é ser amada por um homem, alguém para quem somos importantes, que nos quer ao seu lado porque sem nós a vida é mais triste. Que nos ama só porque sim. E custa cada vez mais ver os anos a passar e a esperança de isso alguma vez acontecer diminuir; afinal, nós mulheres temos o tempo contra.
Já me passou pela cabeça a ideia louca de ter um filho, uma produção independente, alguém para amar e que me amasse, mas uma criança não deve nascer para ser a cura dos falhanços dos pais. É um fardo pesado demais para carregar: colmatar aquilo que o pai ou a mãe não conseguiram alcançar por si. Não posso fazer isso, não seria correto. Tenho de continuar a seguir em frente, um dia de cada vez, rezando para que exista alguém por aí no mundo que ache que eu valho a pena, que me deseje, que me acarinhe que me ame. Um dia, a sorte também há-de sorrir para mim.
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Saturday, September 13, 2014
Wednesday, January 02, 2013
Ser mãe a 100%
Por muito só que esteja, por muito carente de afectos, por muito que deseje ser mãe, sei que neste momento, nestas condições seria uma mãe péssima. Exactamente por isso, pela solidão e pela carência. Iria exigir de um filho - ainda que inconscientemente -aquilo que os adultos não me deram e despejaria nele a minha frustração, a minha mágoa ou a minha raiva quando ele/a - inevitavelmente - não me desse o afecto que eu preciso, aquele que só um adulto pode dar. Amaria muito o meu filho/a, mas amaria da forma errada, com desespero, com fraqueza, com carência e não com alegria e dádiva. Uma criança precisa de pais inteiros e não de seres magoados em busca de afecto.
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