Há dias em que sinto raiva... magoaste-me, ignoraste-me, castigaste-me com o teu silêncio. Só me apetece gritar, chamar-te nomes, desejar que sintas a mesma dor que eu sinto...
E há outros em que acredito ainda que há uma explicação,... Em que acho que fugiste porque tens medo e em que só te quero dizer: não tenhas medo... eu estou aqui, só te quero abraçar... ainda é possível...
Saturday, January 26, 2013
Friday, January 25, 2013
I'm sorry
I apologize to those few guys who have liked me and whom I haven't liked back, or rather those I haven't liked enough to be their girlfriend. They weren't many, I was never that sought after, just one or two. A couple who had the kindness, the chance, the will to pay some attention and the compliment of their goodwill towards me. I'm sorry I couldn't love you back. There was nothing wrong with you, you were nice guys, it just that I didn't feel love for you. And I was naive and silly enough to believe relationships can only work with genuine affection; that acepting someone just to get into the 'married group' or even the 'someone's girlfriend' group, having a husband to show off, to have kids, or simply out of fear of being alone are all silly reasons, wrong reasons to accept someone. I'm starting to doubt that now. I'm starting to thing I should have been less idealistic, I should have taken the afection that was offered, because even if I didn't return it, I guess it's better to be loved that to love without being wanted. I'm so sorry! I hope I haven't hurt you when I said no. I hope you have found someone that really loves you back. You were nice to me, you deserve to be happy!
Sunday, January 20, 2013
Silêncio...
«Descubra que só porque alguém não o ama como gostaria, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como o demonstrar ou viver.»
William Shakespeare
Mais vale uma palavra, ainda que essa palavra seja de adeus...
William Shakespeare
Eu acreditava nisto... que duas pessoas podem amar de modos diferentes ou até senti graus diferentes de afecto em determinado momento. Mas qual é a linha que separa o acreditar da ilusão? Como é que posso continuar a acreditar que há esperança, que as palavras de ternura ditas eram verdadeiras, quando não obtenho respostas? Se calhar o silêncio é a resposta?... Mas é uma resposta equivoca, porque deixa sempre dúvidas.
Mais vale uma palavra, ainda que essa palavra seja de adeus...
Wednesday, January 16, 2013
11 de Janeiro de 2013
Today, my love, is your birthday! I'd love to tell how much I wish this is a good day for you, how I hope it's the beginning of a new phase of happiness where all your fears and troubles go away and you can finally reach all you want to reach. I'd love to hug you and say how happy I feel for you, how much I admire you for all you have conquered, for all the obstacles you have overcome. I wanted to kiss you and tell you I love you... but I won't simply because I don't know if you want to talk to me... and I still don't know why...
Thursday, January 10, 2013
Éowyn e Faramir
Estes são os meus personagens favoritos na trilogia de Tolkien. Não são Aragorn, Arwen, Frodo ou sequer Gandalf, Galadriel ou Elrond - são simplesmente Faramir e Éowyn. Ele é quase um anti-herói, discreto, vivendo à sombra do irmão e desprezado pelo pai, mas nele Tolkien colocou uma força indomitável que talvez só tenha espelho em Frodo em toda a trilogia. A força de ser ele próprio, autêntico, verdadeiro, seguindo a sua intuição, regendo-se pelos seus próprios valores e fazendo as suas próprias escolhas, mesmo quando sabe que isso vai desagradar ao seu pai. Não procura fama nem glória apenas procura cumprir o seu dever, cumprindo as suas responsabilidades, protegendo e guiar os homens que dependem das suas ordens. É o único que resiste à sedução do Anel e é dos poucos que mantém a esperança quando tudo parece desmoronar-se.
Éowyn é diferente, não é o anjo inspirador encarnado em Arwen, é um ser humano ambicioso, com sonhos e expectativas, que anseia por voar, mas a quem o amor e o dever mantêm presa numa jaula. Ilude-se perante Aragorn, vendo-o como o seu libertador, mas no final descobre que só ela se pode libertar a si mesma. Revejo-me nela. Também eu queria voar e também eu, se calhar, me iludi. Também eu pensava ter encontrado um Faramir... mas se calhar era apenas um Aragorn...
Éowyn é diferente, não é o anjo inspirador encarnado em Arwen, é um ser humano ambicioso, com sonhos e expectativas, que anseia por voar, mas a quem o amor e o dever mantêm presa numa jaula. Ilude-se perante Aragorn, vendo-o como o seu libertador, mas no final descobre que só ela se pode libertar a si mesma. Revejo-me nela. Também eu queria voar e também eu, se calhar, me iludi. Também eu pensava ter encontrado um Faramir... mas se calhar era apenas um Aragorn...
Sunday, January 06, 2013
Blues
Hoje sinto-me pessimamente. Estes têm sido, provavelmente, os piores dias da minha vida. Ver ruir um sonho, a última esperança de felicidade dói imenso... devasta. Digo última, porque depois disto não sei se terei capacidade para me levantar de novo, para acreditar de novo. Dirão muitos (os do costume): não fiques assim, há pessoas piores, tu tens saúde, tens família, tens emprego. Sim tenho tudo isso, mas falta-me a única coisa que sempre quis na vida. Ser amada. Algo que por alguma razão nunca aconteceu e que começo sinceramente a achar que não vai acontecer nunca. Não sei se é por falha minha, algo que mim que afaste quem eu amo, se é uma partida cruel do destino, se é simplesmente azar... Dizem que as coisas acontecem porque nós as provocamos, que inconscientemente, pelo modo como agimos, provocamos uma reacção nos outros. Pois, eu desta vez agi de modo diferente, fiz coisas que nunca tinha feito, arrisquei, atirei-me de cabeça, acreditei, abri o coração... E até agora não percebo o que correu mal, onde é que me enganei? O que é que eu não vi. Às vezes, quando as coisas correm mal, olhamos para trás e dizemos "Ah! Estava ali um sinal e eu não percebi". Pois, eu ainda não sei onde estavam os sinais. Se calhar é daquelas coisas sem explicação, e isso ainda torna tudo pior, porque sem explicação não sei como dar a volta a esta dor, não sei como a ultrapassar... Não vejo mais caminho, mais saída... Não sei como vou conseguir continuar...
Wednesday, January 02, 2013
Não percas as oportunidades
A vida é curta e no final nada é mais doloroso do que perceber que deixámos escapar a oportunidade de ser felizes.
Há sempre algo de urgente, o trabalho nunca dá folgas, mas no último momento supremo não serão os prémios, os cheques de bónus, os projectos ou sequer os cargos que ocupámos que nos virão à mente...
Serão os rostos das pessoas que amámos e que nos amaram, mas que por alguma razão estivemos sempre demasiado ocupados para ter tempo para elas.
Há sempre algo de urgente, o trabalho nunca dá folgas, mas no último momento supremo não serão os prémios, os cheques de bónus, os projectos ou sequer os cargos que ocupámos que nos virão à mente...
Serão os rostos das pessoas que amámos e que nos amaram, mas que por alguma razão estivemos sempre demasiado ocupados para ter tempo para elas.
Separações
«Em todas as separações, tem mais amargo quinhão de dores o que fica, do que o que vai partir. A este esperam-no novos lugares, novas cenas, novas pessoas; sobretudo espera-o o atractivo do desconhecido, que de antemão lhe absorve quase todos
os pensamentos.» - Júlio Dinis in 'As Pupilas do Senhor Reitor'
os pensamentos.» - Júlio Dinis in 'As Pupilas do Senhor Reitor'
Ser mãe a 100%
Por muito só que esteja, por muito carente de afectos, por muito que deseje ser mãe, sei que neste momento, nestas condições seria uma mãe péssima. Exactamente por isso, pela solidão e pela carência. Iria exigir de um filho - ainda que inconscientemente -aquilo que os adultos não me deram e despejaria nele a minha frustração, a minha mágoa ou a minha raiva quando ele/a - inevitavelmente - não me desse o afecto que eu preciso, aquele que só um adulto pode dar. Amaria muito o meu filho/a, mas amaria da forma errada, com desespero, com fraqueza, com carência e não com alegria e dádiva. Uma criança precisa de pais inteiros e não de seres magoados em busca de afecto.
A Realidade do Medo
Já repararam que muitas vezes fazemos escolhas com base no medo? Não porque queremos de facto algo, mas porque temos medo do que acontecerá, ou do que os outros irão pensar, ou do tipo de pessoa que seremos se não seguirmos por determinado caminho...
Monday, December 31, 2012
Não desistas
Não quero desistir por medo, não quero desistir porque dói demais esperar pelo que mais quero. Para desistir que seja por já não querer mais; que seja para avançar, sem necessidade de olhar para trás e não para ficar para sempre agarrado à ideia de 'e se não tivesse desistido'...
Yin & Yang
Porque ninguém sabe o que eu sinto por dentro, ninguém sabe o que vi nos teus olhos, o que ouvi nas tuas palavras... Simplesmente, amo-te!
Amar uma Mulher
Vou-te contar um segredo sobre as mulheres... elas nunca se sentem amadas o suficiente. Precisam de carinho, de reforço, de mimos beijos e abraços com frequência. Duvidam sempre e nunca acham que são suficientes. Por isso, se me amas, se gostas ao menos um pouquinho mostra-mo. Diz qualquer coisa sem eu pedir, manda um mimo de surpresa, faz um Like no Facebook. Para mim, meu querido, isso vale mais do que mil jantares à luz de velas! Saber que naquele instante estavas a pensar em mim é o melhor presente que me podes dar...
Surfistas e Mergulhadores
Há dois tipos de pessoas no mundo (bom, há mais, mas hoje só falo de dois): os surfistas e os mergulhadores. Os surfistas gostam de andar à superfície, na crista da onda, sempre à procura da melhor praia, sempre à procura de aventura e da próxima experiência. Têm sede de saber mais, de viver mais.
E depois temos os mergulhadores. Estes ficam-se pelo oceano que escolheram e vão fundo, querem conhecê-lo bem, não se interessam pelos outros oceanos, onde há outros peixes e flora rara. Querem conhecer o seu, em todas as estações do ano, ao longo de todo o seu ciclo de vida. Adaptar-se a ele, evoluir com ele e maravilhar-se com cada tesouro escondido que ele lhes revela em cada fase da vida.
Ambas as opções de vida são válidas, mas eu pessoalmente prefiro a segunda. Acho que se aprende mais com ela; crescemos mais. A busca constante pela próxima aventura pode ser muito excitante, mas apenas permite viver pela rama, conhecem-se muitos começos, mas poucos meios e nenhuns fins. Isto para mim não é viver, é fugir da vida.
E depois temos os mergulhadores. Estes ficam-se pelo oceano que escolheram e vão fundo, querem conhecê-lo bem, não se interessam pelos outros oceanos, onde há outros peixes e flora rara. Querem conhecer o seu, em todas as estações do ano, ao longo de todo o seu ciclo de vida. Adaptar-se a ele, evoluir com ele e maravilhar-se com cada tesouro escondido que ele lhes revela em cada fase da vida.
Ambas as opções de vida são válidas, mas eu pessoalmente prefiro a segunda. Acho que se aprende mais com ela; crescemos mais. A busca constante pela próxima aventura pode ser muito excitante, mas apenas permite viver pela rama, conhecem-se muitos começos, mas poucos meios e nenhuns fins. Isto para mim não é viver, é fugir da vida.
O Futuro
Eu: «O que queres ser quando fores grande?»
D (6 anos): «Quero ser médico. Os médicos ganham muito dinheiro, não ganham?»
Eu: Alguns ganham... Olha, sabes uma coisa? O melhor é fazeres alguma coisa de que gostes muito. Quando gostamos muito de fazer uma coisa acabamos por fazê-la bem, porque queremos aprender tudo sobre ela, queremos fazê-la cada vez melhor e não desistimos quando encontramos obstáculos. E, então, quando fores bom naquilo que fizeres, não te preocupes porque vais acabar ganhar muito dinheiro, porque os bons profissionais acabam sempre por ter muitos clientes.
D (6 anos): «Quero ser médico. Os médicos ganham muito dinheiro, não ganham?»
Eu: Alguns ganham... Olha, sabes uma coisa? O melhor é fazeres alguma coisa de que gostes muito. Quando gostamos muito de fazer uma coisa acabamos por fazê-la bem, porque queremos aprender tudo sobre ela, queremos fazê-la cada vez melhor e não desistimos quando encontramos obstáculos. E, então, quando fores bom naquilo que fizeres, não te preocupes porque vais acabar ganhar muito dinheiro, porque os bons profissionais acabam sempre por ter muitos clientes.
Monday, February 11, 2008
Os homens...
Recebi um e-mail hoje com o seguinte texto
"ESSA É PROFUNDA...
Os homens bons são feios.
Os homens bonitos não são bons.
Os homens bons e bonitos são gays.
Os homens bons, bonitos, e heterossexuais estão casados.
Os homens que não são tão bonitos, mas são bons, não têm dinheiro.
Os homens que não são tão bonitos, mas que são bons, com dinheiro, pensam que só estamos atrás do seu dinheiro.
Os homens bonitos sem dinheiro estão atrás do nosso dinheiro.
Os homens bonitos, que não são tão bons e razoavelmente heterossexuais, não acham que somos suficientemente bonitas.
Os homens que nos acham bonitas e que são heterossexuais, razoavelmente bons e têm dinheiro, são covardes.
Os homens que são razoavelmente bonitos, razoavelmente bons, têm dinheiro e graças a Deus são heterossexuais, são tímidos e NUNCA DÃO O PRIMEIRO PASSO.
Os homens que nunca dão o primeiro passo, automaticamente perdem o interesse em nós quando tomamos a iniciativa.
AGORA QUEM NESSE MUNDO ENTENDE OS HOMENS?"
Bom, eu sou mulher e como tal sou picuinhas, tenho os meus momentos emotivos e nada racionais, as minhas paranóias e os meus medos, como qualquer outra pessoa (homens incluidos), mas até eu fiquei com dor de cabeça depois de ler isto!!!
Irra, esta é a chamada teoria hermética que explica porque é que nenhuma relação dá certo! É quem nem vale a pena tentar a ver se a coisa tem pernas para andar, é só medir o gajo na escala e já está! Resultado infalível. É o chamado preservativo do amor. Usa-se e pronto! Não há amor que passe a barreira.
"ESSA É PROFUNDA...
Os homens bons são feios.
Os homens bonitos não são bons.
Os homens bons e bonitos são gays.
Os homens bons, bonitos, e heterossexuais estão casados.
Os homens que não são tão bonitos, mas são bons, não têm dinheiro.
Os homens que não são tão bonitos, mas que são bons, com dinheiro, pensam que só estamos atrás do seu dinheiro.
Os homens bonitos sem dinheiro estão atrás do nosso dinheiro.
Os homens bonitos, que não são tão bons e razoavelmente heterossexuais, não acham que somos suficientemente bonitas.
Os homens que nos acham bonitas e que são heterossexuais, razoavelmente bons e têm dinheiro, são covardes.
Os homens que são razoavelmente bonitos, razoavelmente bons, têm dinheiro e graças a Deus são heterossexuais, são tímidos e NUNCA DÃO O PRIMEIRO PASSO.
Os homens que nunca dão o primeiro passo, automaticamente perdem o interesse em nós quando tomamos a iniciativa.
AGORA QUEM NESSE MUNDO ENTENDE OS HOMENS?"
Bom, eu sou mulher e como tal sou picuinhas, tenho os meus momentos emotivos e nada racionais, as minhas paranóias e os meus medos, como qualquer outra pessoa (homens incluidos), mas até eu fiquei com dor de cabeça depois de ler isto!!!
Irra, esta é a chamada teoria hermética que explica porque é que nenhuma relação dá certo! É quem nem vale a pena tentar a ver se a coisa tem pernas para andar, é só medir o gajo na escala e já está! Resultado infalível. É o chamado preservativo do amor. Usa-se e pronto! Não há amor que passe a barreira.
Saturday, December 23, 2006
Prioridades e SMS
Aqui há uns tempos, eu e uma amiga discutíamos qual a importância que uma de nós tinha para um conhecido pelo qual estava interessada. Depois de debatermos os sinais habituais: “ele telefona, ele não telefona”, “ele conta o que se passa com ele, confia em mim ou não…”, “ele está sempre ocupado, nunca tem tempo...” etc., chegámos à conclusão que até relativamente fácil percebermos se somos importantes para os outros ou não: basta ver em que lugar estamos na sua lista de prioridades.
Se alguém está constantemente ocupado, nunca telefona, está sempre a desculpar-se que nunca tem tempo, que o trabalho/casa/filhos, etc., o ocupam, então é porque não somos importantes o suficiente para que essa pessoa nos coloque no topo da sua lista de prioridades. Todos temos as mesmas 24 horas em cada dia e acabamos, todos, por fazer primeiro aquilo que no momento mais valorizamos. Ainda que queiramos com toda sinceridade chegar a todo o lado e estar com toda a gente, isso não é possível e por isso, acabamos por ter de fazer escolhas. E são essas escolhas que indicam as nossas prioridades.
Isto é válido para maridos, namorados, amigos, colegas e familiares. Ainda que mais tarde cheguemos à conclusão que fizemos a escolha errada e que teria sido melhor ter saído com a pessoa X do que ficar a aturar o chato do chefe, a realidade é que no momento em questão decidimos ficar mais 3 horas no local de trabalho. Quer essa decisão tenha sido tomada por ambição (estamos à espreita de uma promoção), por brio profissional (se eu não ficar o trabalho não aparece feito), por medo (se não der o litro sou despedido), ou por qualquer outro motivo, o facto é que a tomamos porque, para nós, naquele momento aquela decisão era importante e a alternativa era-o menos.
Claro que para a pessoa que é preterida em favor de outros afazeres pode ser aborrecido perceber que se calhar os outros não nos colocam no mesmo degrau da escala que lhes atribuímos. Quando de repente recebemos um SMS de alguém, que sempre julgámos próximo do nosso coração, a informar-nos de um facto tão relevante como o futuro nascimento de uma criança, um casamento ou um baptizado, percebemos que afinal não nos é atribuido por essa pessoa o tempo suficiente para, pelo menos, recebermos um telefonema a dar-nos notícia de viva voz.
Pode ser triste, mas de certo modo é também libertador. Porque é nesse momento que percebemos que é altura de deixarmos de estar parados à espera do outro e em vez disso seguirmos o nosso caminho. Eles fizeram a sua escolha e é tempo de fazermos a nossa. Podemos então saborear as boas lembranças que temos com essa pessoa, esquecer as más e manter a janela aberta para as novas que surgirão. A nossa vida apenas depende de nós e cada dia está ai para ser vivido o melhor que pudermos, sem mágoas nem ressentimentos.
A.C., 12 de Dezembro de 2006.
Friday, July 21, 2006
Responsabilização
A coisa mais difícil e assustadora que uma pessoa pode fazer na vida é assumir a responsabilidade pelos seus actos e pelos resultados que deles derivam. E por muitas vezes ser tão difícil assumir as consequências das nossas escolhas muitas vezes procuramos a saída fácil e atribuímos as causas do que nos acontece a factos exteriores, tais como as acções dos outros, a sorte/azar, o destino ou mesmo a acção divina.
Frequentemente, quando algo corre mal na nossa vida, a primeira reacção é procurar um alvo para atirarmos a culpas. Pode ser aquela pessoa que nos irritou na fila do supermercado, e que com isso nos “fez” comer um pacote inteiro de bolachas; o colega invejoso do local de trabalho que nos “faz” sermos mesquinhas em retaliação; a vida chata que levamos que nos “faz” não darmos ao nosso namorado/a a atenção que merece; o azar de termos apanhado trânsito que nos “fez” não termos chegado a tempo à entrevista; ou a maldição que nos persegue e que nos “faz” não encontremos a pessoa especial que procuramos. Os exemplos não têm fim.
No entanto, e esta é a minha opinião pessoal, qualquer que seja a situação em que nos encontremos na vida, ela depende também e sempre de nós mesmos, das escolhas que fazemos. Não importa quão mal-educada seja a mulher na fila do supermercado, eu tenho a escolha de não devorar um pacote inteiro de batatas fritas, assim como tenho a escolha final de não ofender quem trabalha comigo só porque estou mal disposto/a ou não consegui a promoção queria. Se não tenho namorado/a ou não tenho o/a que desejava, então a culpa é minha porque não vou à procura de quem quero.
É verdade que somos afectados pelas circunstâncias e pelas acções de outras pessoas, mas é também verdade que somos nós que reagimos a essas circunstâncias e às pessoas. Nós não somos, ou pelo menos não deveríamos ser, espectadores passivos da nossa vida. O problema é que nem sempre sabemos que caminho seguir e, mesmo quando sabemos o que devemos fazer, há ainda a hipótese de errarmos na nossa decisão. E é isso que assusta.
É sempre mais fácil e aliviador até, atirar o peso da responsabilidade para os ombros de outrem ou para o saco sem fundo da sorte ou do acaso. Só que cada vez que o fazemos, de cada vez que evitamos olhar de frente para os acontecimentos, estamos a perder um pouco mais o controlo da nossa vida. Quando assumimos que algo aconteceu por motivos exteriores a nós estamos a deixar que seja o exterior a conduzir a nossa vida. Não podemos controlar os sentimentos e reacções alheias nem os golpes do acaso, mas podemos decidir como reagimos a eles. É esse o nosso poder, decidir como vivemos a vida que nos acontece e não deixar que nos aconteça a vida que vivemos.
Assim, da próxima vez que se quiser queixar do árbitro que marcou um penalty errado no minuto 37 de um jogo importante, lembre-se que o jogo tem 90m e que, embora aquele penalty possa ter influência no resultado final, os golos que a nossa equipa não marcou durante o resto do jogo também o têm. O passado já aconteceu e já não pode ser mudado, mas podemos sempre agir no presente e fazer a diferença no futuro, porque pode ser justamente quando nos deixamos ficar parados a lamentar a nossa sorte, que a oportunidade pode passar por nós e, se estivermos ainda agarrados àquele momento de azar ou de raiva, o mais provável é não a vermos.
A.C., Odivelas, 20 de Julho de 2006.
Frequentemente, quando algo corre mal na nossa vida, a primeira reacção é procurar um alvo para atirarmos a culpas. Pode ser aquela pessoa que nos irritou na fila do supermercado, e que com isso nos “fez” comer um pacote inteiro de bolachas; o colega invejoso do local de trabalho que nos “faz” sermos mesquinhas em retaliação; a vida chata que levamos que nos “faz” não darmos ao nosso namorado/a a atenção que merece; o azar de termos apanhado trânsito que nos “fez” não termos chegado a tempo à entrevista; ou a maldição que nos persegue e que nos “faz” não encontremos a pessoa especial que procuramos. Os exemplos não têm fim.
No entanto, e esta é a minha opinião pessoal, qualquer que seja a situação em que nos encontremos na vida, ela depende também e sempre de nós mesmos, das escolhas que fazemos. Não importa quão mal-educada seja a mulher na fila do supermercado, eu tenho a escolha de não devorar um pacote inteiro de batatas fritas, assim como tenho a escolha final de não ofender quem trabalha comigo só porque estou mal disposto/a ou não consegui a promoção queria. Se não tenho namorado/a ou não tenho o/a que desejava, então a culpa é minha porque não vou à procura de quem quero.
É verdade que somos afectados pelas circunstâncias e pelas acções de outras pessoas, mas é também verdade que somos nós que reagimos a essas circunstâncias e às pessoas. Nós não somos, ou pelo menos não deveríamos ser, espectadores passivos da nossa vida. O problema é que nem sempre sabemos que caminho seguir e, mesmo quando sabemos o que devemos fazer, há ainda a hipótese de errarmos na nossa decisão. E é isso que assusta.
É sempre mais fácil e aliviador até, atirar o peso da responsabilidade para os ombros de outrem ou para o saco sem fundo da sorte ou do acaso. Só que cada vez que o fazemos, de cada vez que evitamos olhar de frente para os acontecimentos, estamos a perder um pouco mais o controlo da nossa vida. Quando assumimos que algo aconteceu por motivos exteriores a nós estamos a deixar que seja o exterior a conduzir a nossa vida. Não podemos controlar os sentimentos e reacções alheias nem os golpes do acaso, mas podemos decidir como reagimos a eles. É esse o nosso poder, decidir como vivemos a vida que nos acontece e não deixar que nos aconteça a vida que vivemos.
Assim, da próxima vez que se quiser queixar do árbitro que marcou um penalty errado no minuto 37 de um jogo importante, lembre-se que o jogo tem 90m e que, embora aquele penalty possa ter influência no resultado final, os golos que a nossa equipa não marcou durante o resto do jogo também o têm. O passado já aconteceu e já não pode ser mudado, mas podemos sempre agir no presente e fazer a diferença no futuro, porque pode ser justamente quando nos deixamos ficar parados a lamentar a nossa sorte, que a oportunidade pode passar por nós e, se estivermos ainda agarrados àquele momento de azar ou de raiva, o mais provável é não a vermos.
A.C., Odivelas, 20 de Julho de 2006.
Wednesday, May 31, 2006
O último duelo
Aqui há tempos li um livro, cuja personagem principal, uma jornalista a cobrir o Tour de France em ciclismo, dizia a certa altura: “I love all my brave boys on bikes. They are my heros!” Essa frase ficou-me na cabeça porque é exactamente assim que eu me sinto em relação aos tenistas profissionais.
Eu gosto de desporto em geral e de várias modalidades diferentes em particular, mas para mim o ténis é especial por várias razões; é um desporto individual, de elevada exigência física, técnica e mental e que exige uma entrega total. Ao contrário dos desportos de equipa onde há interacção e entreajuda, no ténis o jogador está completamente entregue a si mesmo em campo, não podendo sequer contar com o aconselhamento do treinador. E é aí que, sozinho e em milésimos de segundo, tem de tomar decisões e agir de acordo com elas. O ténis é, além disso, um desporto que exige consistência e regularidade durante uma, duas, três ou mesmo mais horas. Dado que em cada jogada está sempre um ponto em disputa, não é possível a um jogador esconder-se uma partida inteira e efectuar uma jogada de mestre no final ou vencer por um golpe de sorte fortuito. É como se fosse um duelo, um frente a frente intenso no qual cada jogador tem de reagir no imediato às pancadas do seu adversário. Não é possível parar para pensar, ou ensaiar as jogadas na mente como em outros desportos individuais. A estratégia que se traz estudada no início do jogo pode de repente não se aplicar de todo, porque cada desafio depende também do adversário que temos à nossa frente, e da forma como ele reage em cada momento ao nosso jogo, e não apenas de nós próprios ou de jogadas ensaiadas.
No exemplo atrás, o ciclismo, é verdade que os ciclistas num Tour de France têm de percorrer milhares de quilómetros em cima de uma bicicleta durante 2 semanas, subindo e descendo montanhas que fariam tremer o mais corajoso e sujeitando-se a diferentes mudanças de temperatura num mesmo dia. É um esforço monumental, mas é um esforço que tem lugar em períodos de tempo curtos e definidos no ano. A carga maior dá-se na Primavera/Verão, mas no Outono/Inverno o ciclista recupera e treina-se para a época seguinte. Além disso, as provas principais têm lugar normalmente no mesmo continente, ainda que em países diferentes.
No ténis os jogadores actuam 47 semanas por ano, com torneios disputados semana após semana em todos os continentes. É uma vida de saltimbanco, sempre a mudar de cidade para cidade, de país para país e de um continente para o outro. Apenas para dar um exemplo, só em 2005 Rafael Nadal participou em 24 torneios e fez 11 viagens intercontinentais! Jet lag, fusos horários, comida, água, climas… tudo muda numa questão de dias. É uma vida alucinante que dificulta qualquer tipo de vida familiar, minimamente estável. Este ano Roger Federer, o nº1 mundial comentou que a passagem de ano de 2006 até que não tinha sido má; tinha-a passado já no Qatar onde iria disputar o torneio de ténis de Doha que se realiza na primeira semana do ano. No ano anterior fora pior, disse ele; passou a meia-noite dentro do avião. Isto diz tudo e é por isso que eu também repito: “I love all my brave boys (and girls) with the raquets. They are my heros!”
A.C. Odivelas, 26 Maio de 2006.
Thursday, February 09, 2006
Papéis de Vida
Uma vez vi num filme um casal que discutia e em que ela acusava o marido de ser uma criança e de ter de ser ela a tomar sempre todas as decisões, ao que ele respondeu que a culpa era dela porque quando tinham decidido que papéis assumir no casal, ela escolheu ser o adulto.
Pondo de lado, a parte romanceada e simplista da situação, a resposta do personagem deste filme faz sentido. Já por diversas vezes reparei que há pessoas que assumem um papel de paternalista nas relações (sejam elas de amor, amizade ou trabalho), em que agem como “pais”, certinhos e responsáveis, perante os amantes, amigos ou colegas “infantis” e “irresponsáveis”.
Não ponho de parte que estas pessoas sejam de facto mais atentas e que os outros sejam talvez mais distraídos, mas existe nisto também uma espécie de circulo vicioso perverso em que o “responsável” não deixa escapar uma falha no “desatento”, apontando cada erro, porque isso o faz sentir-se no controle e de certo modo superior ao parceiro, e em que o outro, frustrado por ser continuamente chamado à atenção por tudo o que faz, se desmotiva e desleixa cada vez mais.
Quando se aponta este facto aos responsáveis eles normalmente respondem: “pois, mas se eu não fizer, mais ninguém faz” ou “sou eu que aguento a casa/departamento”. Apesar de ser uma queixa reveladora de cansaço e frustração, estas frases denotam também um certo orgulho, do tipo “sou indispensável”, que pode ser extremamente corrosivo numa relação.
A minha mãe, a minha actual colega de trabalho e até algumas amigas minhas apresentam traços deste tipo de personalidade. Estão constantemente atentas à mínima falha, ralham e queixam-se quando o outro faz algo errado, mas estão permanentemente à espera que ele o faça, para assim terem um papel a desempenhar: ser aquele que tudo resolve. Quando não há um erro, quando o outro desempenha bem o seu papel/tarefa, ficam surpreendidas e até mesmo desiludidas como se lhes tivessem apresentado uma iguaria que não podem depois provar.
Como se diz naquele velho chavão: numa relação a culpa nunca é só de um. Ninguém tem uma relação sozinho, por isso quando algo falha, seja no trabalho, em casa ou entre amigos, a responsabilidade é sempre de ambas as partes; dos que escolhem ser as “crianças”… e dos que escolhem ser os “adultos”.
A.C. Lisboa, 8 de Fevereiro de 2006.
Pondo de lado, a parte romanceada e simplista da situação, a resposta do personagem deste filme faz sentido. Já por diversas vezes reparei que há pessoas que assumem um papel de paternalista nas relações (sejam elas de amor, amizade ou trabalho), em que agem como “pais”, certinhos e responsáveis, perante os amantes, amigos ou colegas “infantis” e “irresponsáveis”.
Não ponho de parte que estas pessoas sejam de facto mais atentas e que os outros sejam talvez mais distraídos, mas existe nisto também uma espécie de circulo vicioso perverso em que o “responsável” não deixa escapar uma falha no “desatento”, apontando cada erro, porque isso o faz sentir-se no controle e de certo modo superior ao parceiro, e em que o outro, frustrado por ser continuamente chamado à atenção por tudo o que faz, se desmotiva e desleixa cada vez mais.
Quando se aponta este facto aos responsáveis eles normalmente respondem: “pois, mas se eu não fizer, mais ninguém faz” ou “sou eu que aguento a casa/departamento”. Apesar de ser uma queixa reveladora de cansaço e frustração, estas frases denotam também um certo orgulho, do tipo “sou indispensável”, que pode ser extremamente corrosivo numa relação.
A minha mãe, a minha actual colega de trabalho e até algumas amigas minhas apresentam traços deste tipo de personalidade. Estão constantemente atentas à mínima falha, ralham e queixam-se quando o outro faz algo errado, mas estão permanentemente à espera que ele o faça, para assim terem um papel a desempenhar: ser aquele que tudo resolve. Quando não há um erro, quando o outro desempenha bem o seu papel/tarefa, ficam surpreendidas e até mesmo desiludidas como se lhes tivessem apresentado uma iguaria que não podem depois provar.
Como se diz naquele velho chavão: numa relação a culpa nunca é só de um. Ninguém tem uma relação sozinho, por isso quando algo falha, seja no trabalho, em casa ou entre amigos, a responsabilidade é sempre de ambas as partes; dos que escolhem ser as “crianças”… e dos que escolhem ser os “adultos”.
A.C. Lisboa, 8 de Fevereiro de 2006.
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